Tríptico


primeiro round:

"sinto uma vontade insuportável de comer, beber, dormir e conversar sobre literatura, ou seja, ficar sem fazer nada e ao mesmo tempo sentir-me um homem honesto. Aliás, se minha ociosidade lhe causa repugnância, posso prometer escrever com você, ou ao seu lado, uma peça, um conto... Que tal? Não quer? Bem, você é quem sabe." Anton Tchekhov

segundo round

"Vontade é uma palavra errada, porque em ultima análise você pode chamá-la de desespero. A fonte do desespero é a absoluta consciência de saber que é impossível realizar essas coisas; dessa maneira eu posso, por assim dizer, fazer qualquer coisa. E a partir desta qualquer coisa, a gente vê o que acontece." Francis Bacon

terceiro round

"I was sayin let me out of here before I was
even born--it's such a gamble when you get a face
It's fascinatin to observe what the mirror does
but when I dine it's for the wall that I set a place

I belong to the blank generation and
I can take it or leave it each time
I belong to the ______ generation but
I can take it or leave it each time" Richard Hell And The Voidoids



Os Beatles voltaram


Déficit de Atenção




Eu tenho algo para fazer, que agora não é necessário revelar. Eu tenho algo para fazer, que mudará tudo o que eu penso. O que eu quero fazer vai ser bem legal, vai ser animado, vai ser recompensador. Eu tenho a leve sensação de que não esperarei muito para isso acontecer. Sei que não. E está tudo pontilhado, tudo pela metade, quase costurado. O que eu quero fazer vai precisar de muita atenção e tempo gasto, muita noite, muito calor e muito suor(não figurativo). Se eu fizer essa coisa, tudo ficará mais fácil, muito melhor para que consiga realização futuras. Eu tenho que tentar fazer isso. Sério. Coca-Cola.

ciga r r o. g us t a v .

k
l i m





t.

Sorte ou azar

Ontem eu sonhei contigo, amor.
Tal qual Chico.
Mas tal sonho foi dionisíaco.
Em meio às suas costas, eu procurava as respostas.
Meu corpo se enchia do céu.
Suas pernas num labirinto.
Achava seu fim.
Abrasada a noite.
Passei minha ponte, seus toques me faziam um poeta.
Sua graça, tirava meu sério.
E tua voz dizia coisas.
Coisa que minha valente vida se desarmou.
Fatal saber que era um bem-me-quer. Entre dous.
Normal era saber que eu podia ser feliz.
Chamava até aquele lugar de nossa cama.
Caí da cama, sorri para o espelho.
Segui meus passos.
Hoje eu sonhei contigo, dor.
Minhas momices sem par estavam a mil.
Incontáveis cigarros. Isqueiro amarelo.
Doses e doses.
Desora para estar aqui.
Foi a sádica conversa das seis da tarde.
Incrédulo.
Seus olhos tinham outro par.
Sua conversa, diverso sotaque.
Teu coração, outro lugar.
Refuguei. Não lutei.
Minha covarde vida se manifestou.
Valia a discórdia? Uma crise de nervos?
É só pensar que não deu.
Ter peito de pedra pra seguir adiante.
Caí do cavalo, chorei para o cinzeiro.
E não pude acordar.

Em
Fenacistoscópio. Abril de 2009.


Exercício.

é assim:

Você está naquele muquifo, num bar na esquina de sua casa. O bar até que lhe é agradavel, todos os dias a mesma coisa pede-se por favor que não mude.
Chega, desce as escadas quase não enxerga nada, escosta a mão na parede e se guia automaticamente até o balcão. Ao redor do balcão estão somente algumas pessoas, tais bêbados que como eu chegam aqui as 21 e saem somente as 2 quando o dono pede atenciosamente para que saiam. O bar ate que é legal, ouve-se musica boa, a cachaça que não deve ser julgada em lugar nenhum, também é boa e de vez em quando o Bigode desce uma porção de amendoins. Ontém, quando cheguei, avistei uma jukebox. Estava lá toda brilhante e pedindo para ser tocada. Como fui o primeiro a chegar dei de cara com aquela maravilha, pedi uma dose, acendi um cigarro e desci as fichas. Passando, Passando, Passando, PARA. Uma pessoa com uma sanfona, cabelinhos lambidos e uma taça de martini quase caindo pisca para mim. Não são lágrimas a toa. São lágrimas selvagens e, de certo, botei o disco inteiro pra tocar.
Acompanho aquela rouquidão como um suplício, tal como uma pessoa a mais sentada naquele balcão. É tentação debaixo de uma garrafa, e querendo esquecer que ao chegar em casa serão somente ratos e baratas.
Mais um dia e mais uma canção.

Conversa de bar




Marquei de tomar umas com uns amigos da faculdade, acabaram-se as férias, botecopróximo da facu, assim me sinto menos culpado de não ir pra aula. Chego lá meia hora atrasado, tinha uma amiga,sentada tomando cerveja, mas tinha acabado de chegar, por isso meu atraso nem foi percebido, ele foi é proposital, pois sabia que ninguém chegaria no horário.. É sempre assim, se fôssemos tão pontuais e certinhos, nem teríamos ido para o bar e sim para a facu, mas esses não seriamos nós.

Nos cumprimentamos, conversamos, bebemos cerveja e peço uma cachaça, e ela também, surgem assuntos sobre o futuro. Ela diz precisamos fazer algo da vida, vamos montar um bar, não quero ser empregada de alguém minha vida toda.

Bem, acho que ela quase não trabalhou para ninguém e mesmo assim já sabe que vai ser um saco. E eu trabalho e sei que é um saco.

É, um saco trabalhar para um boçal que só te explora. Um bar ia ser do caralhomesmo, porra, eu já fico neles todo o meu tempo livre e pago pra isso, se eu ganhasse então, ia ser foda, assim talvez entenderia como é trampar com o que gosta.

Já estava imaginando o bar, até o endereço, baixo augusta, lado underground(ultimamente está mais para hype), um bar com um som de bom gosto, algo que anda difícil de se encontrar, você só acha isso pagando para entrar nas baladas ou bares caríssimos, mas eu não quero isso, eu quero a liberdade de entrar e sair quando quiser e não ter de pagar por isso. Um som com uma playlist decente, vários estilos, classicrock, indie, mpb, boa música.

Também aproveitaria para chamar os amigos que tocam para fazerem um som por lá.
Em meio aos meus devaneios, chegam outros amigos.
Todos como seu copo cheio e começam algum assunto, na verdade eu nem estavaprestando muita atenção na conversa, eu estava pensando na música tosca que tocava na hora. Bebo mais um copo e minha revolta interna com o som termina, já que não adiantaria de nada.

Começo a prestar atenção ao contexto. Estavam falando sobre a tropicália.
Qual vocês acham melhor, a tropicália ou a bossa nova?
Bem, sei lá, acho que não tem comparação, é muito complicado comparar essas coisas.
Começam a surgir as opiniões. Uns acham que é realmente difícil comparar, cada um é bom do seu jeito. Mas a bossa nova é um estilo mais diferenciado, você percebe que ela não é o jazz nem o samba. Enquanto a tropicália é quase o som psicodélico. Bem, eu acho que a tropicália também foi inovadora, foram usados bons argumentos, um deles é músico, eu não, então prefiro não falar nada, e também não tinha nada pra falar, acho que não tem comparação mesmo, cada um tem seus méritos.
Outro diz que a bossa foi um movimento musical muito elitista, a tropicália foi mais popular. É, também concordo que é uma boa justificativa.

Bem, como não haveria solução para a conversa mesmo, acaba surgindo outro assunto, mas na mesma linha.
E qual você prefere, blues ou jazz?
Bem, já digo que gosto mais de blues, sei lá, gosto pessoal mesmo, sei que os caras do jazz tocam pra caralho, gosto de ouvir, tem umas improvisações muito boas, porém, acho o blues uma coisa mais viceral, tem um sentimento mais profundo ou ao menos combina mais comigo.
Um fala que o blues é mais dançavel, o jazz algumas vezes se parece com várias pessoas afinando os intrumentos, estilo o jazz be-bop. Gostei dessa, as vezes parece mesmo.
Outro fala, que nada, que o jazz é divertido sim, dá até pra dançar, não sei se isso é um bom argumento, tantas músicas péssimas também servem pra dançar. Após isso começa uma discussão sobre estilos de jazz, que possui vários, muitos dos quais não tenho nem idéia dos nomes, por isso prefiro pedir mais cerveja e mais cachaça, essa discussão vai longe e bebâdo ela ficará bem mais interessante.

Bom, no final, já estava bêbado e não me lembro bem da conclusão. Mas também... que conclusão? Essas discussões não tem conclusão, mas ao menos nós fazem divagar sobre alguns assuntos, desde a vida, até música, no final é tudo interligado.


Postado Originalmente em: http://almostdrunk.blogspot.com/2009/07/conversa-de-bar.html
Falta de tempo

Yes we're going to a party, party


Sem poema, sem crônica, sem saco, sem ressaca. Não estive na Rua Augusta, mas foi um aniversário que não tinha faz tempo: sem preocupação e sem falso sentimentalismo batendo à minha porta ou ligando em meu celular. Viva o clube da Ypióca!